terça-feira, 17 de junho de 2014

EXTERMÍNIO (miniconto) - Andra Valladares


EXTERMÍNIO


Os seres alados foram todos mortos. Sem dó, sem a mínima piedade, foram trucidados.

Eram seres divinos, como tantos outros. Habitavam um mundo hostil. O simples fato de se alimentarem era um perigo mortal. O Criador não lhes deu alternativa, precisavam voar e correr riscos.

Quando estavam famintos eram especialmente ágeis. Isso provocava ainda mais a raiva dos algozes, que os caçavam até pensarem que todos haviam sido exterminados.

Se voavam em numeroso bando, geralmente a morte ocorria com administração de gases tóxicos. Nenhum sobrevivia. Quando eram relativamente poucos, a morte era por esmagamento. Em qualquer das opções, sem direito de defesa. Nenhum “ecochato” os protegia, eram a escória de um mundo sem lei.

Naquela noite, um deles sobrevivera ao ataque feroz do exterminador. Após a chegada do pequeno bando, ele se escondeu. Contudo, como estava faminto, tentou se alimentar. Assim que pousou foi esmagado...

- Maldito pernilongo! – disse o homem.  

segunda-feira, 16 de junho de 2014

SOBRE A AMIZADE




Amigos,

Não citarei nomes, eles saberão se reconhecer aqui. Isso não diz respeito apenas ao tempo de convivência. Amigos, antes de tudo, são pessoas que nos apoiam e que estão ao nosso lado tanto nos momentos bons quanto nos ruins.

São aquelas pessoas seguram nossa mão nos momentos difíceis e nos ajudam a prosseguir...  Também aquelas que nos dão uma "sacudida" quando estamos prestes a fazer uma besteira, ou nos aconselham a mudar de rumo, quando percebem que estamos momentaneamente cegos e entramos num beco sem saída.

Os verdadeiros amigos às vezes parecem nosso anjo da guarda. Desejam o nosso bem e decifram nossa alma de uma forma tão surpreendente, que nem as pessoas que nos conhecem desde a infância conseguem.


Quem tem amigos assim, guarde como um tesouro. Eles são mesmo... 




sexta-feira, 13 de junho de 2014

TRANSMUTAÇÃO



"Sou uma borboleta estranha que perdeu as asas. Agora encontro-me no casulo, passando por nova metamorfose..." 

( Andra Valladares)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

VAZIO (Andra Valladares)





V A Z I O


Tudo que restou 
foi um sabor amargo.
Esse soluço engasgado,
essa lágrima teimosa,
a tristeza impiedosa,
o mundo imenso,
vazio sem fim...


Lembro-me de ti
com amargura e pena.
Sua vida é pequena
por não saber amar
se entregar, se arrepender.


Por esse sorriso forçado,
esse olhar entediado
e esse orgulho maldito.
Que tanto irá lhe afligir
quanto uma pedra no sapato.


Não pense em mim 
com falsa compaixão.
Estou só mas tenho alma e coração.
O vazio hei de preencher
com esperança no amanhã,
que não virá em vão.


(Andra Valladares)