quarta-feira, 23 de novembro de 2011

domingo, 20 de novembro de 2011

ESGOTO VIRA ENERGIA ELÉTRICA




Será possível? Gerar energia elétrica a partir do esgoto doméstico? ? o que está fazendo projeto desenvolvido pelo CENBIO (Centro Nacional de Referência em Biomassa), do IEE (Instituto de Eletrotécnica e Energia) da USP (Universidade de São Paulo). O sistema, instalado no CTH (Centro Tecnológico de Hidráulica) da universidade, está transformando parte do esgoto produzido no CRUSP (Conjunto Residencial da USP) e no restaurante central da Universidade, em energia elétrica.
O sistema foi apresentado oficialmente em julho de 2005, ao término do projeto. Também foi tema de mestrado da engenheira química Vanessa Pecora e de trabalho de conclusão de curso do engenheiro mecânico Fernando Castro de Abreu, ambos pesquisadores do CENBIO. A partir do biogás obtido no tratamento do esgoto, o equipamento é capaz de gerar cerca de 14 quilowatt-hora (kWh) de energia, relativo à captação aproximada de 72 metros cúbicos (m3) diários do esgoto doméstico do CRUSP e do restaurante, produzido por cerca de 500 pessoas.
O sistema de tratamento do esgoto utilizando um biodigestor modelo Reator Anãróbico de Fluxo Ascendente, mais conhecido como RAFA já estava instalado no CTH. O trabalho do CENBIO foi captar, purificar e armazenar o biogás em um gasômetro, que possui 10 m3 de volume útil, e transformar esse gás em energia elétrica. Segundo Castro de Abreu, ao todo, foram mais de três anos de pesquisas e instalação dos equipamentos.

Sistema viável
A pesquisa explica, porém, que o equipamento do CTH não pode ser utilizado em escala comercial. Segundo ela, eles conseguiram provar que a transformação do biogás em energia é possível. Para usá-lo em escala comercial, no entanto, o sistema teria de ser mais amplo. No município de Barueri, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), chegou a implantar um sistema semelhante.
A engenheira química destaca o baixo custo do gás combustível. "Trata-se de um gás que é normalmente desprezado ou é emitido diretamente na atmosfera, agravando o impacto ambiental", avalia. A captação obtém cerca de 3m3 de esgoto por hora. Após as etapas de filtragem em que são retirados sólidos, materiais oleosos e graxas dos dejetos, o esgoto é encaminhado para o biodigestor (RAFA) que opera sem a presença de oxigênio. O RAFA tem seis metros de altura e comporta um volume de 25 m3 de esgoto. "Os materiais sólidos, oleosos e graxas são encaminhados a um sistema de compostagem", explica Vanessa.
Após um tempo denominado TRH (Tempo de Retenção Hidráulica) de cerca de 8 horas, o biogás obtido do tratamento anãróbio do esgoto é captado na parte superior do biodigestor e encaminhado ao sistema de purificação, onde ocorre a remoção de umidade e do ácido sulfídrico (H2S). Em seguida, o biogás é armazenado no gasômetro e utilizado como combustível no grupo gerador. "A capacidade do gerador é de produzir até 14 kWh. Nosso sistema atinge, no momento, 2,4 kWh", diz a engenheira. Um painel composto por lâmpadas e resistências, instalado ao lado do gerador, mostra os resultados da energia gerada pelo sistema. Segundo Vanessa, a idéia é dar continuidade às pesquisas e tentar buscar recursos junto a instituições financiadoras para aperfeiçoamento do projeto.

Com informações da USP


Fico aqui me perguntando... Por que esse tipo de notícia não é mais divulgada, hein?! Por que o Governo Brasileiro não dá apoio total a um projeto assim? Utilizar uma fonte de energia inesgotável e inevitável e de quebra, poupar os oceanos de grande parte da poluição que neles são lançados diariamente... Ah, sim... é muita vontade de construir um paredão de concreto colo$$al como Belo Monte! 


LINKS:
PUBLICAÇÃO NO PORTAL DON OLEARI




AMÉM (Cecília Meirelles)



AMÉM

Hoje acabou-se-me a palavra,
e nenhuma lágrima vem.
Ai, se a vida se me acabara 
também!

A profusão do mundo, imensa,
tem tudo, tudo - e nada tem.
Onde repousar a cabeça?
No além?

Fala-se com os homens, com os santos,
consigo, com Deus... E ninguém
entende o que se está contando
e a quem...

Mas terra e sol, luas e estrelas
giram de tal maneira bem
que a alma desanima de queixas.
Amém.

(Cecília Meireles)

(*) Antologia Poética / Cecília Meireles. - 3ª.ed. - Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 2001

sábado, 12 de novembro de 2011

CD Andra Valladares - Especial na Rádio Cidade FM Web



Amigos, amanhã, dia 13/11/2011, a partir das 19h, o radialista Wilton Andrade fará um programa especial com o   CD ANDRA VALLADARES, na RÁDIO CIDADE FM WEB (Salvador/BA). Quem quiser acompanhar o programa para conhecer meu trabalho, basta acessar o link abaixo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

UNIDADE POÉTICA

    



UNIDADE POÉTICA 

Os versos que me encantam
são de Bilac, Bandeira,
Pessoa, Drummond...
Poesia reunida em mim,
meus versos de hoje e de amanhã!

Os versos que me refletem,
são de Quintana,
Florbela, Vinícius,
Cecília e outros mais...
Versos que falam dos meus ais!

Os versos que assino,
são de Casimiro, Adélia, 
Cora, Castro Alves
 e tantos outros...
Esses são meus versos soltos.

(Andra Valladares)




   
  

FOTOS: Cecília Meirelles, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Manuel Bandeira, Olavo Bilac, Vinícius de Moraes,  Mário Quintana, Cora Coralina, Humberto de Campos, Adélia Prado, Carlos Drummond de Andrade, Casimiro de Abreu, Castro Alves. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 DE OUTUBRO - DIA D DRUMMOND



"Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho."

(Trecho da prosa poética Reverência ao Destino - Carlos Drummond de Andrade)





O MUNDO É GRANDE

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

(Carlos Drummond de Andrade)


ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar, 
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
Vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

(Carlos Drummond de Andrade)

(Poema do livro "Amar se Aprende Amando") 


VIVA DRUMMOND!
DRUMMOND, VIVO! 




domingo, 30 de outubro de 2011

Anagramas ébrios

 Deus Baco - Michelangelo Merisi (Caravaggio) 


ANAGRAMAS ÉBRIOS

A boca
de Baco
deu cabo
no baço.

(Andra Valladares)
30/10/2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Matizes (rondel)


Ilustração: quadro de Álvaro Conde (pintor capixaba) 


MATIZES

Num dia frio e cinzento,
aumenta a melancolia.
No peito um latejamento,
prenuncia a avaria...

Fica à deriva um lamento,
no embalo da calmaria.
Num dia frio e cinzento,
aumenta a melancolia.

Transborda o sentimento,
no olhar, a maresia...
Mas resta o ensinamento:
também floresce a poesia,
num dia frio e cinzento.


(Andra Valladares)



(Poema escrito no estilo RONDEL, em 19/10/2011, um dia frio e cinzento...)

sábado, 22 de outubro de 2011

PRIMAVERA (acróstico)



Pincelando as mudanças
Renovadas em magia
Inicia a estação
Matizada em esperança.
Acordando flores mil
Vivaz, no acender das cores,
Entre versos e canções,
Revela-se a cada ano
Altar-mor dos corações!

(Andra Valladares)
19/10/2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Haicai para Benedita Azevedo



Dia acinzentado -
no jardim, a rosa murcha
coloriu o chão.


(Andra Valladares)


(*) dedicado à haicaísta Benedita Azevedo, pela perda prematura e inesperada de sua neta Luisa. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lançamento do livro 501 POETRIX



LANÇAMENTO DO LIVRO 501 POETRIX PARA LER ANTES DO AMANHECER, organizado por Goulart Gomes, 05/11/2011, às 19h na Bienal do Livro da Bahia. 

Entre diversos autores que se dedicam ao estudo e composição do estilo poético POETRIX no Brasil e no exterior, tenho a grata satisfação de informar que alguns dos meus trabalhos foram selecionados pelo organizador do livro para compor essa obra histórica. Sou a única autora representando o estado do Espírito Santo nesse estilo literário. 



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Poema TROCA-TROCA





TROCA-TROCA

Ponho o G em ATO 
e vira GATO...

Tiro o G do GATO,
boto um R e vira RATO.

Tiro o R do RATO,
boto um P e vira PATO.

Tiro o P do PATO,
boto um M e vira MATO.

Tiro o M do MATO
boto um J e vira JATO,

Tiro o J do JATO 
e boto um X

Não! Um CH...
e fica CHATO!

(Andra Valladares)


ASSISTA O VÍDEO DO POETINHA BIEL DECLAMANDO O POEMA! CLIQUE AQUI.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Primavera (haicais)

(Fotografia: Andra Valladares)


(Para Andra)


"Festa de primavera -
a melodia que brota
na voz doce mel"

(Pestana, aka Hyô Kô


(*) obrigada por esse encantador haicai como presente de aniversário, Pestana! Grande abraço.


Cores da estação,
nos olhos da criança
as flores do jardim.

(Andra Valladares)

domingo, 25 de setembro de 2011

MANUTENÇÃO DE ENCANTAMENTO





MANUTENÇÃO DE ENCANTAMENTO
(PARA ANDRA VALLADARES)
(Horacio Xavier - © Todos os direitos reservados)

Quanto mais o tempo passa
Mais me encanta sua palavra
Mais me encanta seu lamento
E aquele tão guardado,
Tão secreto juramento

Quanto mais o tempo é veloz
Mais me encanta sua voz
Mais me encanta sua lida
E a ainda tão linda,
Tão predestinada vida

Quanto mais convivência o tempo propicia
Mais me encanta sua poesia
Mais me encanta seu canto,
Que a cada novo poema
E a cada nova melodia,
Ainda continua a me embalar o pranto.





Obrigada por esse lindo presente de aniversário, Horacio, meu grande amigo! Muitos beijos!!!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DESPERTAR EM SETEMBRO




DESPERTAR EM SETEMBRO


Na estreia da primavera
revoa a passarada,
entoando mil quimeras
ao luzir da alvorada.

O sol, se espreguiçando,
não demonstra qualquer pressa...
E a lua, já desbotando,
não quer se ausentar da festa!

No céu, estacionam as nuvens,
que também vêm desfrutar
desse mágico espetáculo
do passaredo a cantar.

Voejando bem ligeiros,
prefilam-se nos beirais,
os sabiás, bem-te-vis,
canarinhos e pardais.

Celebrando a alegria
da revisita de Vênus,
flores e amores despertam
nesta manhã de setembro.

(Andra Valladares)


(*) poema publicado na Antologia Pórtico XV, organizada por Goulart Gomes. Scortecci Editora. 2010


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A PIPA





A PIPA




Voando alto
no céu anil,
a pipa embala
o sonho infantil...

Seguindo o vento
de lá pra cá,
reina tranquila
em seu altar!

Voando leve,
dançando solta,
sua rabiola
não se enrola.

Quanta alegria,
que coisa bela!
Queria mesmo
voar com ela...

Voa a pipa, lá no céu...
Lindo sonho de papel.
Voa... voa... norte... sul...
Colorindo o céu azul.


(Andra Valladares)



(*) Na verdade este texto trata-se da letra de uma música que fiz no ano de 2006 para o meu filho Gabriel, quando ainda estava grávida. Acordei de madrugada e a música surgiu... Somente a última estrofe (que está com a métrica em redondilha maior) é que criei depois para fazer o refrão.

(Publicado no site: O Melhor da Web em 22/04/2009 - Código do Texto: 18504)





POEMA UTILIZADO PARA FINS DIDÁTICOS PELA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO, PÁGINAS 30 A 32 DO CADERNO DE ATIVIDADES. PARA CONFERIR, CLIQUE AQUI

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PIANO




PIANO

Tocando notas
pelo seu corpo,
componho um sonho.

Doces acordes
dessa canção,
sua alma expande...

No encantamento
da melodia
nos entregamos.

Ária secreta
que partilhamos
com intensidade.

Um sonho assim,
gravado em notas
de amor tão puro,

calmo sussurro
que há de alcançar
a eternidade...


(Andra Valladares)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

VERSOS PARA UMA RUA MODERNA...



Outro dia estava passando por uma rua no bairro Praia da Costa, próximo ao Centro de Vila Velha. Era uma rua bonita, larga, sem saída, que na minha época de infância certamente estaria repleta do alarido das crianças correndo, jogando bola, soltando pipa, rodando pião, brincando de pique, subindo nas árvores... 

Contudo, apesar de ser uma bela manhã de sol, a rua estava deserta e fiquei com a sensação de perda, sentindo um enorme vazio... Fiz uma viagem ao passado, entre as décadas de 70 e 80 e me bateu uma grande saudade da Rua Trindade, localizada no bairro Jardim Guadalajara em Vila Velha, onde passei minha infância e residi até os 25 anos, quando me casei. Naquela época a violência não era tão grande como nos dias atuais e as crianças brincavam na rua sempre. Então, vendo aquela rua tão agradável completamente deserta e silenciosa, lembrei-me da cantiga de ninar "se essa rua fosse minha". Pensei até em escrever um texto ou um poema sobre essa sensação que tive, mas  acabei esquecendo desse episódio. 

Nesta semana, contudo, estava procurando um livro em uma biblioteca e encontrei a publicação "Nas Asas do Vento", primeiro livro de poemas de Marilena Soneghet (de quem sou fã declarada) e me deliciei com diversos poemas até que me deparei, na página 32, com poema "Versos para uma rua moderna", todo versejado em redondilha maior e dotado de uma musicalidade incrível. Puxa, quisera eu ter escrito essa pérola poética! Apesar de retratar outra época, provavelmente os anos  50, também tem muito do sabor da minha infância.   

Assim, transcrevo abaixo a poesia da querida Marilena Soneghet, que além de escrever com uma delicadeza incomparável ainda tem o dom da oratória e declama divinamente seus textos  e eu, que tive o privilégio de vê-la (e ouvi-la) declamando "ao vivo" em algumas ocasiões, leio o poema ao mesmo tempo em que imagino sua voz ao fundo, cantando: Se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar...


Versos para uma rua moderna

“Se essa rua fosse minha,
Eu mandava ladrilhar”

Com caquinhos de lembranças
para o meu amor sonhar.
Caminhando nessa rua
que não é minha nem sua,
rua sem identidade,
triste, vazia... tão nua,
me pergunto – o que fizeram?
Desumanizaram as ruas.
Elas nunca conheceram
as cantigas de ciranda
e nem nunca despertaram,
na manhã enevoada,
com os tamancos do padeiro
ressoando na calçada.
jamais tiveram comadres,
numa roda de cadeiras
trançando seus pobres sonhos
nas noites enluaradas.
Enquanto isso as mocinhas,
Aos grupos, de braços dados,
Prá lá e prá cá se exibiam
aos futuros namorados.
Pobres ruas de hoje em dia!
Sem candeeiros, sem lua,
sem crianças, sem poesia,
quando desce a madrugada
e a neblina se insinua,
elas não têm serenata;
jazem, como abandonadas;
sem histórias, sem canções,
sem velhos fantasmas, nada!

“Se essa rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar”

Com caquinhos de lembranças
para o meu amor sonhar.


(Marilena Soneghet Bergmann)